quinta-feira, 19 de abril de 2018

Ensaio-poema sobre a Esperança



A esperança não aprendeu a desesperançar,
Nem tampouco a se resignar,
Pode até cobrir-se de desalentos
E esconder-se em roupas de maus agouros,
Mas sempre estará lá: a sobre-esperar.
A esperança é uma torrente de águas;
Indômitas sobre o irremediável.
Um simples lampejo do esperante
Em compor uma perspectiva luminosa,
Sobrepujará qualquer vestígio de opacidade.
Esperar é o alegrar-se confiante;
É a vida que corre como um rio,
E quer te levar adiante, e adiante
Num fluxo contínuo, numa risonha expectativa
Mesmo não conhecendo donde desaguará;
A esperança não quer saber
Ela quer simplesmente estar
Em gestação daquilo que será
Ela não fica à espreita, resumidamente,
de algo a desabrochar
Mas deleita-se puramente,
em seu estado de esperançar
A esperança é contemplativa,
Ela é uma semente
A desabrochar em broto, caule e flor
Ela é um ventre, um ambiente gerador
Não é apática, passiva ou resignante,
Antes, conhece bem força do avanço silencioso,
E neste lugar subsiste a sua alegria exultante.
Verdade é: que absolvidos da esperança,
seríamos como vaga-lumes no espaço,
Ou estrelas cadentes em noite escura:
Movidos de um ponto a outro, e ponto.
Resumidos num piscar de origem e destino.
Entretanto, a vida se dá, de fato,
Nos interstícios escuros que os olhos não podem ver,
É no silêncio que a vida acontece,
É na espera que ela se desenvolve e cresce.

                               (...)

                     Karina Almeida.

Ora, esperança que se vê não é esperança;
pois o que alguém vê, como o espera?
(Rm 8:24)

Porque deveras haverá bom futuro;
não será frustrada a tua esperança.
(Pv. 23:18)